terça-feira, 1 de outubro de 2013

Começa reunião do papa Francisco com "Conselho de cardeais": uma nova modalidade de consulta

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O papa Francisco instituiu na segunda-feira, 30 de setembro, um “Quirógrafo” ou Conselho de cardeais. O grupo, composto por oito purpurados, tem a missão de colaborar com o papa no governo da Igreja e no projeto de reforma da Cúria Romana. Nesta terça-feira, 1º de outubro, teve início a primeira reunião do Conselho com a presença do Santo Padre. As sessões de trabalho prosseguirão até quinta-feira, dia 3.

Sobre a importância dessa reunião, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, explicou durante entrevista coletiva que o grupo se chamará Conselho e ressalta-se que é fruto das sugestões apresentadas nas Congregações Gerais antes do último Conclave. Com o documento que institui o grupo, estabelece-se formalmente que o Conselho de cardeais ajudará o papa "no governo da Igreja" e "no estudo de um projeto de revisão da Constituição apostólica Pastor Bonus, sobre a Cúria Romana".
Pe. Lombardi procurou definir o novo método de governo querido pelo papa Francisco. "Um instrumento que enriquece o governo da Igreja com uma nova modalidade de consulta: portanto, um enriquecimento dos instrumentos já disponíveis ao Santo Padre para o governo da Igreja mediante a consulta, a ajuda que se pode ter consultando", explica.
O quirógrafo evidencia que o Conselho pode ser alterado em seu número de componentes, mas que deve ser expressão da comunhão episcopal e do auxílio à missão do Sucessor de Pedro. O porta-voz do Vaticano especificou quais são as duas palavras-chave para enquadrar essa passagem do quirógrafo. "As palavras-chave para pensar nesse método de governo que o papa está configurando creio que sejam o caráter sinodal, a ideia do caminhar juntos: uma Igreja que caminha junto em seus diversos componentes e o papa se coloca em caminho com essa Igreja; e o discernimento, que é a busca da vontade de Deus mediante uma consulta frequente e paciente". 
Padre Lombardi afirmou que os oito cardeais, que nestes dias chegaram a Roma, já se reuniram informalmente antes do encontro desta terça-feira com o papa. O Conselho de cardeais preparou-se colhendo sugestões e propostas em suas áreas geográficas. Também foram enviados ao papa documentos de vários dicastérios e da Secretaria de Estado. Ao todo, trata-se de cerca de oitenta documentos, dos quais o secretário do Conselho, dom Marcello Semeraro, preparou um síntese. Os trabalhos se realizarão na Biblioteca privada do apartamento papal. Os cardeais estão hospedados na Casa Santa Marta, se reunirão pela manhã e pela tarde e o papa estará sempre presente, exceto na quarta-feira pela manhã por causa da audiência geral.
Pe. Lombardi explicou como Francisco participará das sessões de trabalhos. "O papa prevê fazer uma introdução muito breve e ouvir. Substancialmente, a presença do papa é uma presença de escuta desses conselheiros que terão muito a trazer com as suas considerações, dado que o material é muito abundante", disse. Respondendo às perguntas dos jornalistas, o porta-voz deixou claro que, com esse Conselho, o papa Francisco não introduz um governo colegial. "O papa não está de modo algum condicionado. Para dizer que é um governo colegial precisaria dizer que o papa 'deve' consultá-lo, 'deve' reuni-lo sobre determinados temas, 'deve'... Não se trata disso: trata-se de um Conselho ao qual pode ser pedido que dê o seu parecer", afirma.
Como se trata do primeiro encontro do papa com os cardeais, o porta-voz informou que não se devem esperar decisões relevantes. Aliás, especificou, não serão publicados documentos de trabalho nem está previsto nenhum comunicado final.
Missa
Francisco concelebrou a Missa na manhã desta terça-feira, na Casa Santa Marta, com os membros do “Conselho de Cardeais”. Na homilia, o papa se inspirou no Evangelho do dia, em que Jesus censura os dois Apóstolos que queriam que descesse fogo do céu sobre os que não queriam acolhê-Lo, para recordar que o cristão não percorre o “caminho da vingança”.
“Pelo contrário, a estrada do cristão é a humildade, a mansidão, o espírito de ternura e de bondade como nos recorda Santa Teresinha do Menino Jesus, que a liturgia celebra hoje. A força que nos leva a este espírito vem do amor, da caridade, da consciência de que estamos nas mãos do Pai. Quando sentimos isso, não precisamos do fogo que desce do Céu”, disse o Santo Padre.
O papa também pediu as orações de todos pela reunião do conselho de cardeais. “Peçamos ao Senhor que o nosso trabalho de hoje nos faça mais humildes, mais pacientes, mais confiantes em Deus, para que, assim, a Igreja possa oferecer um belo testemunho às pessoas que, vendo o Povo de Deus, vendo a Igreja, sintam a vontade de “vir conosco!”.
Conselheiros
Os oito cardeais que compõem o conselho são o italiano Giuseppe Bertello, o chileno Francisco Javier Errazuriz Ossa, o indiano Oswald Graças, o alemão Reinhard Marx, o congolês Laurent Monsengwo Pasinya, o estadunidense Sean Patrick O'Malley, o australiano George Pell e o hondurenho Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, que será o coordenador do grupo, auxiliado por dom Marcello Semeraro, bispo de Albano.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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