segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Respeito


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Dom José Alberto Moura, CSS

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG

Vivemos no pluralismo de realidades, idéias e ideais. Cada um tem sua história, seus valores, convicções, cultura, religião e costumes. Há proselitismo, tentando o condicionamento dos outros, a fim de convencê-los a aderirem a seus modos de viver. Há também oposições a isso e fechamentos em guetos e fundamentalismos. Às vezes, porém, se confunde convicção e verdade com vontade de imposição das mesmas. Aliás, a verdade objetiva se impõe por si mesma. Pode ser questionada, mas não contrafeita pelo seu oposto. Ela é fonte de liberdade, apesar das ditaduras. O tempo falará sobre quem a tem como valor e última palavra.

Hoje se presa muito e se acentua a vontade da pessoa como regra da verdade e do bem. Isso pode ser verdadeira armadilha, que impedirá o ser humano de construir seu futuro diante de um ideal de vida baseado num valor objetivo. Pode-se, por exemplo, querer que a própria imaginação construa um castelo conquistado só com o desejo de tê-lo. Não se lutando com os meios necessários para adquiri-lo, a pessoa pode confundir a realidade com a imaginação. Nessa perspectiva, não adianta o ser humano pensar que vai construir sua felicidade total e imorredoura sem contar com os meios necessários apresentados pelo Criador. Afinal, não somos deuses. Temos a dependência total de Deus para realizar uma  vida saudável na terra e conquistarmos a vida eterna feliz. Para isso, devemos pautar nossa caminhada existencial pelos ditames da verdade objetiva do ideal apresentado por Ele.
No caminho da busca de realização, precisamos dirigir nosso esforço na direção acertada do sentido da existência. Muitas vezes encontramos outros atrativos que nos estimulam a andar por outros caminhos. A ética da vida de sentido nos estimula a fazer escolhas, às vezes com sacrifícios de fortes atrativos baseados na verdade subjetiva. Porém, a formação para valores nos faz aguçar a inteligência e a vontade para conquistarmos o bem objetivo assumido também com o subjetivo. Por isso, Deus não deixa de nos ensinar a abertura à alteridade como meio indispensável para uma convivência humana capaz de nos endereçar para a busca de um ideal mais elevado. O respeito ao outro é fundamental para termos esse encaminhamento de vida. As Sagradas Escrituras estão cheias dessa perspectiva. Já o próprio livro do Êxodo fala: “Não oprimas nem maltrates o estrangeiro... Não faças mal algum à viúva nem ao órfão. Se os maltratares, gritarão por mim, e eu ouvirei o seu clamor... Se emprestares dinheiro do meu povo a um pobre... não sejas um usurário” (Êxodo 22,20-25).
O respeito à palavra dada e a coerência na responsabilidade do cargo recebido para o serviço ao bem comum devem ser assumidos por quem realmente sabe ser humano. É um valor de real cidadania. A pessoa desse porte de caráter é de exemplo para a sociedade, como lembra Paulo. Ele fala  de sua própria missão exercida para assumir a causa do Reino de Deus e do exemplo de quem o acolheu para facilitar sua missão apostólica (Cf.  1 Tessalonicenses 1,5-10). O mandamento do amor profundamente vivido e frisado por Jesus é a base e o coroamento da vida de respeito a Deus e ao semelhante (Cf Mateus 22,34-40).
Somente conseguiremos viver em paz e plena realização humana na prática do respeito ao outro, à natureza e ao próprio Senhor da História. Ao contrário, ficamos amassando o barro da caminhada sem irmos longe de nosso próprio limite.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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