sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Às mulheres, a palavra!


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Dom Redovino Rizzardo, cs

Bispo de Dourados - MS

No sábado, 3 de setembro, de um lugar incógnito da Líbia, Muamar Khadafi enviou uma mensagem aos soldados que permaneciam a seu lado na luta que travava contra os rebeldes: «Não se deixem atemorizar! A vitória é nossa! Não sejam mulheres, mas valentes!»

No domingo, os holofotes se voltaram para Roberto Carlos, de visita a Israel. A maior parte dos repórteres e jornalistas que o acompanhavam, transmitiu a notícia com estas palavras: «De quipá, cercado por policiais e repórteres (as mulheres tiveram de ver de longe, por causa da tradição judaica), o cantor Roberto Carlos causou frisson na tarde deste domingo em Jerusalém, ao visitar um dos lugares mais sagrados dos judeus, o Muro das Lamentações».
No mesmo dia, comecei a ler a autobiografia de Renata Borlone, uma jovem que, ao encontrar o Movimento dos Focolares, imprimiu um novo rumo à vida, tanto que seu processo de canonização já foi introduzido. Pouco antes da conversão, passou por uma experiência bastante negativa: «Certa vez, fui à missa com um vestido que eu julgava modesto, apesar de suas mangas curtas. O padre achou por bem não dar a comunhão a quem não estivesse de mangas compridas. Foi o que fez: ante o numeroso grupo de jovens ajoelhadas ao longo da balaustrada, ele ia escolhendo a quem conceder a eucaristia. Olhando para mim, passou adiante. Senti-me humilhada, até mesmo porque não me parecia estar cometendo um grande pecado. Continuei a frequentar a igreja, mas passei a entender as pessoas que, em situações semelhantes, sentem vontade de mandar os padres às favas».
No dia 14, o deputado Laerte Tetila apresentou na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul um projeto de lei proibindo o Poder Público de financiar shows de cantores, autores de músicas preconceituosas contra a mulher: «Sabemos que o machismo existe desde que o mundo é mundo. O desrespeito à mulher, em composições musicais, nunca foi novidade. Mas, agora, chegamos a tal ponto, que as mulheres passaram a reagir, já que certas letras atingem níveis de baixaria nunca antes acontecidos. Letras deletérias, de conteúdos desrespeitosos, depreciativos, ofensivos; muitas vezes, com agressividade latente, que desqualifica, humilha e avilta explicitamente a imagem, a moral e a autoestima das mulheres».
Por fim, no dia 7 de outubro, foi anunciado que o Prêmio Nobel da Paz de 2011 havia sido conferido a três mulheres: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee e Tawakkul Karman. De acordo com o Comitê Norueguês, a escolha se deve «à sua luta não violenta pela segurança e pelos direitos das mulheres na participação do processo da construção da paz. Não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo se as mulheres não têm as mesmas oportunidades dos homens para influenciar o desenvolvimento em todos os níveis da sociedade».
Ellen Johnson Sirleaf é a primeira mulher a ser eleita numa nação africana, a Libéria. Desde que assumiu o poder, em 2006, ela promove a paz no país buscando o desenvolvimento social e econômico e fortalecendo o status da mulher na sociedade.
Leymah Gbowee – também liberiana – se notabilizou na organização das mulheres, independentemente de suas diferenças étnicas e religiosas, no intuito de pacificar a nação e assegurar a participação feminina nas eleições.
Tawakkul Karman se distinguiu na luta pelos direitos das mulheres e pela busca da democracia e da paz no Iêmen, processo que faz parte da que passou a ser conhecida como a “Primavera Árabe”.
Às mulheres, a palavra! Que elas nos digam o que pensam de si mesmas e de sua presença na sociedade através da palavra de uma líder, como foi Chiara Lubich: «Narra a Escritura que bastaram poucas palavras para induzir a mulher ao pecado: “Serás como Deus” (Gn 3,5). Também hoje, na balbúrdia de vozes que deformam o pensamento, uma tendência infiltrou-se e continua avançando: levar a mulher a “ser como o homem”.
O Papa Pio XII vê a mulher como a “obra-prima da criação”. Para tanto, porém, ela precisa ser verdadeiramente mulher. Nos tempos atuais, saturados de ateísmo, a mulher, com o seu natural instinto para Deus e a sua perene vocação ao amor, tem uma missão primordial na renovação da sociedade: ser “portadora de Deus” para ser o coração da humanidade».

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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