terça-feira, 8 de novembro de 2011

As urgências da Evangelização


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Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo - SP

No sábado passado, dia 29 de outubro, tivemos nossa assembléia arquidiocesana de pastoral; ao mesmo tempo que avaliamos o caminho feito ao longo de 2011, marcado pelo destaque pastoral - “paróquia, comunidade de comunidades” -, começamos a pensar o caminho pastoral da Arquidiocese em 2012.
O levantamento feito sobre as paróquias, ainda que incompleto, revelou que há muitas coisas boas acontecendo; ao mesmo tempo, notamos que elas precisam aprofundar o processo de conversão pastoral – “paróquia, torna-te o que tu és!” -, para serem comunidades de comunidades onde a vida e a missão da Igreja sejam realidades sempre mais perceptíveis e eficazes. De fato, é nas comunidades paroquiais que o rosto e o jeito da Igreja aparece mais concretamente. Ou fica descaracterizado.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015 nos ajudarão a dar passos no próximo ano; tentaremos levar a sério as urgências pastorais nelas apontadas, tomando consciência delas e respondendo a elas com o desejo de ser fiéis à missão da Igreja aqui, concretamente, em nossa Arquidiocese, conforme é propósito do nosso 10º Plano de Pastoral: “Ser Igreja discípula e missionária na cidade de São Paulo”.
A primeira urgência é que precisamos ser uma Igreja em estado permanente de missão. Não se faz missão apenas de vez em quando, pois a Igreja é missionária por sua própria natureza e por vontade de seu Fundador: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Devemos passar de uma pastoral apenas de conservação para uma pastoral decididamente missionária, em todas as iniciativas e em todos os momentos da vida das nossas comunidades, onde a preocupação missionária esteja sempre presente.
Outra urgência é fazer com que a Igreja, em nossas paróquias, seja “casa de iniciação à vida cristã”. É fato que a maioria dos nossos batizados nunca fez uma verdadeira iniciação à vivência cristã e eclesial e, por isso, sente-se distante da fé e da vida da Igreja, não se identificando com elas. Como superar isso, a não ser através de um envolvimento multiforme, intenso, alegre, verdadeiro e gratificante na experiência da fé e da vida eclesial? Nossas comunidades precisam ser esses espaços e “lugares” da experiência cristã, que leva a ser discípulos missionários de Cristo.
A terceira urgência mostrada pelas Diretrizes é fazer a animação bíblica da pastoral e da vida da Igreja. Esta tem sua base na Palavra de Deus e não num discurso que ela mesma produz, ou que ela inventa conforme o gosto e as tendências do momento. A Igreja e cada cristão precisa orientar-se pela Palavra de Deus e nela buscar continuamente o fundamento e a força do seu agir no mundo. Temos muito que trabalhar para que a Palavra de Deus seja mais conhecida, acolhida e vivida! Desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo, já dizia S.Jerônimo.
A quarta urgência nos confirma naquilo que estamos procurando fazer: que nossas paróquias sejam, de fato, comunidades de comunidades. O individualismo da cultura atual pode tomar conta também da vida cristã; no entanto, nós somos cristãos, não apenas individualmente, mas membros da “família de Deus”, que se manifesta nas muitas expressões do viver comunitário da Igreja. As paróquias precisam continuar a  formar mais comunidades; pequenas comunidades dentro da grande comunidade, onde seja mais real este “viver como irmãos”, que aprendemos de Jesus no Evangelho.
Quinta urgência é trabalhar para a vida plena para todos. Jesus disse que veio “para que todos tenham vida e a tenham em abundância”; hoje, a vida humana e a da natureza, dom de Deus e casa que nos abriga e sustenta, estão ameaçadas de muitas formas, são desprezadas e até esmagadas. A fé no Deus da vida nos leva a valorizar, defender e amar a vida.em todas as suas expressões mas, de maneira especial, a vida humana. E, com esta urgência, acrescentamos ainda a atenção especial à juventude. A evangelização da juventude é crucial para o presente e o futuro da Igreja e da sociedade. E temos uma ocasião ímpar para fazê-lo, mediante a preparação da Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de janeiro.
Publicado em O SÃO PAULO, de 01.11.2011

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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