sexta-feira, 12 de julho de 2013

Hora da juventude

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Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Os jovens introduziram a sociedade brasileira em um novo ciclo, ainda em desdobramentos iniciais. O mundo da política está em efervescência, desafiado a dar respostas novas, sem paliativos. A juventude desencadeou em muitas esferas a configuração de demandas meio adormecidas ou equivocadamente tratadas. Inconteste é, pois, a força dos jovens, indispensável no presente das instituições e na projeção de seu futuro. Agora é a hora da juventude. Ninguém, particularmente os governos, pode desmerecer ou desconsiderar o significado da juventude. Ao levantar as próprias vozes, os jovens dão voz aos diversos segmentos da sociedade e trabalham pela vez de todos, particularmente dos pobres.

A Igreja Católica está em sintonia com a juventude. A realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), de 22 a 28 de julho, precedida pela Semana Missionária, aqui em Belo Horizonte, de 16 a 21 de julho, é a comprovação desta audácia profética de reafirmar e efetivar a opção preferencial pelos jovens. Por isso, 2013 é, mais uma vez, como em 1992, na Igreja Católica no Brasil, o ano da juventude. O ano começou privilegiando os jovens na Campanha da Fraternidade. Assim, fez crescer especialmente no coração da juventude a consciência de que o dom desta vida vem de Deus. O Pai que nos chama à vida, convoca-nos, por Cristo Jesus, ao seu seguimento, configurando o chamado a participar de sua missão de vida plena para todos.
Cada um, especialmente os jovens, abrasados como o profeta Isaías, é convocado a escutar esse chamado e a dizer, de coração aberto, a Deus que chama, “Eis-me aqui, envia-me”. Só a referência amorosa a Cristo Jesus possibilita tomar consciência desse chamado e, com disposição, oferecer a resposta esperada: o consequente engajamento para ser e fazer de todos discípulos e discípulas. Essa é a grande meta desses grandes eventos que tem como ápice a Jornada Mundial da Juventude, congregando jovens de todas as partes do mundo, uma grande diversidade cultural, de experiências e vidas. Essa multiplicidade constitui um tecido único e incomparável capaz de iluminar a força das juventudes com os valores do Evangelho. Todos estão convidados a participar, de longe ou de perto, desses eventos importantes e decisivos nesta hora da juventude.
Estaremos enriquecidos também pela alegria singular da presença do Papa Francisco, que inspira simplicidade, proximidade e objetividade na busca de uma vida plena para todos. Um Papa que busca sempre o diálogo ecumênico para que diferenças religiosas ou opções políticas diversificadas não enfraqueçam o que em si tem a capacidade de acordar gigantes adormecidos: a força dos jovens. Não se pode perder a oportunidade de apoiar e participar da hora da juventude, com muita oração, vibração, presença e entusiasmo. Particularmente na Arquidiocese de Belo Horizonte, é muito importante o que vai acontecer nas paróquias e foranias a partir do dia 16 de julho, quando, às 19h, será realizada a abertura da Semana Missionária, na Praça da Pampulha, perto da Igreja São Francisco de Assis, nosso cartão postal mineiro e belo-horizontino. Com os jovens, convidados e incentivados, estejamos presentes.
Dois outros momentos especiais também merecem destaque. Um deles é a caminhada “A juventude quer viver”, quando os jovens manifestarão o desejo de paz e vida, reafirmando o compromisso de enfrentar a dependência química. Esta caminhada começará na Praça do Papa, descendo a Afonso Pena até a Praça da Estação. Um segundo momento importante será vivido, depois das experiências de oração, espiritualidade, partilhas, acolhimento de peregrinos e intercâmbios entre nós, no domingo, 21 de julho, às 16 horas, na Praça da Estação, com a celebração de encerramento da Semana Missionária e envio dos nossos jovens à Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. Participar significará mais do que simples apoio indispensável aos jovens. Particularmente, será oportunidade para aprendizados. E também para reafirmar que a sociedade deve ser marcada pelos valores do Evangelho, caminho para a garantia de avanços, conquistas, mudanças e respostas demandadas.
Oportuno é ter presente que nossa Semana Missionária será enriquecida com a realização do Congresso Mundial de Universidades Católicas, reunindo representações do mundo inteiro, jovens e dirigentes, no coração da PUC Minas, para refletir a educação, tema fundamental para todos. É hora de acolhimento e escuta, de estar com os jovens nas igrejas, eventos, debates, ruas, escolas, nas nossas casas, qualificando e apoiando a grandeza desta hora da juventude.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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