segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Forte e suave

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Dom Aloísio Roque Oppermann
Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)

Não é tão fácil encontrar pessoas que tenham harmonizadas em si essas duas qualidades, aparentemente antagônicas.  Passei por uma exposição, neste mês de janeiro/14, em Santa Catarina, onde se expunha em fotos a vida exemplar do Pe. Aloísio Boeing que, em vida já era considerado um santo, pelo povo. É claro, só Cristo é Santo. “Só Tu és Santo, e todas as nações virão prostrar-se diante de Ti” (Apoc 15, 4).

O que podemos fazer apenas é imitar suas virtudes.  Fiquei deveras impressionado com os fatos dessa rica existência do famoso Sacerdote. Eu o conheci pessoalmente, e posso garantir que nada dos elogios à sua santidade de vida, tem características de enfeites e de “melhorias”. Era um homem profundamente marcante, pela sua vida de oração e pelas suas obras. O seu caráter era muito masculino. E em momentos de indignação sua posição era de enfrentar com coragem os agentes de qualquer ação injusta que acontecesse. Mas era ao mesmo tempo como uma mãe, que olha para as necessidades de seus filhos e filhas.
Tomo a liberdade de assinalar alguns fatos que marcaram sua vida. Era um homem muito inteligente e preparado teologicamente. Tinha uma grande marca na sua personalidade. Tinha profunda oração, e sabia “perder tempo” por horas seguidas de contemplação. É por isso que em seu contacto, as pessoas percebiam como ele tinha um amor fascinado pela pessoa de Cristo. É deste espírito de oração que brotava a sua caridade, incansável. Sabia dar orientação espiritual aos Padres, às Religiosas, e a qualquer leigo que dele se aproximasse.
Nunca se ouviu de seus lábios qualquer revelação de segredos a ele confiados. Atendia muitas confissões, à vezes chegava a rezar várias missas por dia, para atender o povo. A sua caridade era permanente. Chegou a acolher na sua casa, em tempos diferentes, mais de 12 Padres doentes ou idosos. Para os Padres era um irmão. Para o povo e para as Religiosas era um pai. Tinha equilibrado espírito crítico. Defendia o Bispo, a santidade sacerdotal, a generosidade das mulheres, a vida de oração para todos. Encorajava a busca da perfeição cristã. Pois as Escrituras dizem: “Sede perfeitos assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Esse homem ainda será muito falado.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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