segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

EPIFANIA DO SENHOR

DIOCESE DE LIMEIRA - EPIFANIA DO SENHOR
04 de janeiro de 2015

 

“Em Jesus, a salvação é oferecida a todos os povos”
Leituras: Isaías 60, 1-6; Salmo 72 (71), 1-2.7-8.10-13 (R/cf. 11); Carta de São Paulo aos Efésios 3, 2-3a.5-6;
Mateus 2, 1-12.

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA

Animador: “Onde está o Rei que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2, 2). Os Magos não quiseram apenas admirar à distância este grande brilho do Mistério, mas quiseram experimentar o Mistério realizado em Jesus Cristo, a Luz divina do Pai. Quem busca a Luz, que é Jesus Cristo, não vive como caminheiro nas trevas.
1. Situando-nos
A festa da Epifania é a grande convocação que Deus faz, a fim de que todas as nações e raças encontrem forças para tornar humano e fraterno o nosso mundo. E em Jesus Cristo essa expectativa toma corpo e alma, aparecendo como proposta oferecida a todos.

Como festa litúrgica, a Epifania deixa raiz na tradição das Igrejas do Oriente, onde se identificava com a celebração da Natividade de Jesus, firmada no Ocidente (Roma), no dia 25 de dezembro. Com o passar do tempo, entrou para o calendário romano sob o titulo “Epifania”, e também, “Teofania”.

O aspecto ressaltado na Epifania é a manifestação do Senhor e de sua luz que ilumina todos os povos do universo, vivendo ainda a alegria do Natal e lembrando o dom da graça e da ternura de Deus que se manifestam em todas as nações e culturas, simbolizadas pela visita dos três reis magos.

2. Recordando a Palavra
A leitura de Isaías se refere à situação de Jerusalém. Ela é desanimadora. É tempo de pós-exílio, onde tudo está por ser feito Se o exílio era amargo, a saída dele e a reconstrução do país foram marcadas por grandes dificuldades: Jerusalém está prostrada por causa de sua população diminuta, pela falta de recurso e pela dominação estrangeira (império persa) que não permitia a organização política dos que retornaram, além de impor pesado tributo.

Teria Deus abandonado seu povo e a cidade santa? O papel do profeta (Terceiro Isaías) é suscitar ânimo e esperança. Deus continua sendo o esposo da cidade. Por causa do amor fiel que tem para com Jerusalém, esta será transformada em ponto de convergência da caminhada das nações. Neste contexto, precisamos entender a palavra do profeta.

O texto de Isaías (60,4) é uma poesia de consolo à comunidade que retorna do cativeiro: “Lança um olhar em volta e observa: todos estes reunidos para virem a ti, teus filhos vêm de longe, tuas filhas carregadas ao colo”. Jerusalém acolhe os seus que foram deportados, e, resplandecente, vibra pela justiça de Deus.

Amanhece o dia: trabalhos de reconstrução, acumulação de tesouros. Triunfam a paz e a justiça. O dia passa, mas a noite não chega: começou o dia sem fim de luz, vida, justiça e fecundidade, porque a glória do Senhor se levantou sobre a cidade. Jerusalém deve despertar da noite do exílio e ver com alegria a chegada das nações cantando louvores a Deus.

O Salmo 71(72), messiânico, tem na pessoa do rei o centro das atenções. Pede-se que Deus lhes conceda capacidade de julgar com justiça de acordo com o projeto de Deus. Os cristãos viram em Jesus um novo rei capaz de agir conforme a vontade do Pai, único e rei do povo.

O salmo ainda conduz nossa atenção para a adoração que as nações todas devem tributar a Deus que se fez presença em seu Rei: “As nações de toda terra hão de adorar-vos, ó Senhor”; “Os réus de Tarsis e das ilhas hão de vir (...) e também os reis de Sebá e de Sabá (...) os reis de toda a terra hão de adorá-lo”, pois “Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua autora”. A luz é de Jerusalém, mas sua origem é o próprio Deus, pois sobre ela apareceu a glória do Senhor (cf. Is 60, 1.3).

A carta de Paulo aos Efésios fala do desígnio eterno de Deus de se revelar à humanidade; esse mistério completou-se em Jesus, o Messias, a chamar a si toda a humanidade, judeus e não judeus. Deus revelou-se no momento presente pelo Espírito: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo e associado à mesma promessa em Jesus Cristo.

No Evangelho, uma luz paira sobre o lugar do nascimento de Jesus. Lendo-o a partir da primeira leitura com seu salmo, nos é possível perceber como se cumpre em Jesus o que se anuncia acerca de Jerusalém e do Rei-Messias.

Mateus fala da visita dos magos do Oriente a uma casa onde se encontram Jesus e sua Mãe. Herodes Magno é rei da Judeia. É visto como ilegítimo por parte da população por ser estrangeiro. Para ele Jesus é um rival perigoso que deve ser eliminado.

A estrela esperada, que sairia da linhagem do pai Jacó (Nm 24,17), é Jesus de Nazaré, descendente de Davi, outra estrela da estirpe de Jacó. Essa estrela é a verdadeira luz para todos os povos, é o “sol da justiça”, anunciado pelo profeta Malaquias (Ml 3,20). Davi é da tribo de Judá e Belém é sua aldeia de origem. Por isso, os autores deste relato fazem memória da esperança do profeta Miquéias (Mq 5,1-3), que não acreditava mais nas autoridades de Jerusalém, a capital, mas em um governante que viria desde a periferia, como Davi, quando era um pobre pastor de ovelhas antes de se tornar rei em Hebron e, depois, também em Jerusalém.

Outro aspecto dessa memória da esperança do povo é o fato de lembrar vários textos que anunciam a vinda do rei justo para todos os povos, enquanto do Oriente e do Ocidente eles viriam trazendo-lhe presentes (Sl 72,10-15; Is 49,23; 60,5-6). Os presentes anunciam que Jesus é rei (ouro) divino (incenso), que veio trazer libertação para muitos. Por isso, é uma ameaça para outros, que o matam (a mirra era usada nos sepultamentos – Jo 19,39-40)

Contrastando com Herodes estão os magos do Oriente. Seriam sacerdotes persas, mágicos, astrônomos ou astrólogos babilônios? Importante é que eram conhecedores das tradições judaicas. Chegam a Jerusalém, perguntando pelo rei dos judeus recém-nascido, pois viram sua estrela e vieram homenageá-lo. Herodes tremeu e com ele toda a Jerusalém ligada ao poder. Ele conhecia a esperança messiânica do povo e temia como ameaça ao seu poder político.  

Os sumos sacerdotes e doutores foram indagados sobre onde devia nascer o Messias. Eles citam o profeta Miquéias (5,1): “Mas tu, Belém de Éfrata, pequenina entre as aldeias de Judá, de ti é que sairá para mim aquele que há de ser o governante de Israel. Sua origem é antiga, de épocas remotas”. A profecia de Miquéias opõe a humilde aldeia de Belém à capital, Jerusalém.

O rei se informa sobre o tempo em que havia aparecido o astro, recomendando que enviassem informações para que ele pudesse ir homenagear a criança. Os magos partiram e a estrela os conduzia, motivo de imensa alegria. Entraram em casa e viram o menino com a mãe Maria. Não é uma gruta, ou sala de peregrinos, ou um dormitório. É uma casa. Não menciona José.

Na tradição bíblica, a presença do rei ou do herdeiro tem papel importante (cf. Sl 45,10). Prostraram-se, homenageando a criança e lhe ofereceram ouro, incenso e mirra, reconhecendo sua dignidade como rei, Filho de Deus e ser humano. Avisados para no retornarem a Jerusalém, voltaram para o Oriente por outro caminho, impedindo os planos de Herodes.

Algumas conclusões se impõem: Jesus é o rei que vem fazer justiça. Ele é o mestre da justiça. Essa missão se concentra na salvação dos pagãos, aqui representados pelos magos. O verdadeiro Rei dos Judeus não é violento nem assassino. É um recém-nascido que tem suas raízes no poder popular alternativo que se forma a partir do descontentamento e das necessidades básicas do povo, ou seja, lembrando que Jesus é Rei à semelhança do pastor Davi. No reinado de Jesus, a salvação não vem de Jerusalém, mas de Belém.

No século VII, eles teriam recebido “nomes” populares: Baltazar, Melchior e Gaspar. E, no século XV, lhes teriam sido atribuídas as “cores”: Melquior representaria as etnias brancas, Gaspar as amarelas e Baltazar as negras, a fim de simbolizar o conjunto da humanidade que acolhe e reconhece o Messias como Deus conosco e libertador de todas as formas

3. Atualizando a Palavra
O mistério de Deus, seu plano salvífico, manifestou-se plenamente em Cristo a toda humanidade. Mistério não significa enigma. É uma realidade que nos envolve e ultrapassa e que, por isso, escapa à nossa compreensão total. A Epifania, como mistério, nos atinge, fazendo desaparecer todos os nossos fechamentos e individualismos, afirmando que Jesus veio para todos os povos e todos os tempos.

A segunda leitura nos fala daquilo que agora foi dado a conhecer em Cristo: todos chamados a ser discípulos de Jesus, todos podem participar da herança, devem formar o mesmo corpo, participar da mesma promessa.

Isso é festa da Epifania! Uma grande festa missionária! Faz-nos sentir caminhando na fé, junto com toda a humanidade que enfrenta os dissabores da caminhada. A fé não é um assunto particular, mas leva à comunicação e a vivência comunitária na busca contínua de um sentido para a vida e suas contradições.

A estrela indica um caminho alternativo, um caminho que não passa pelo conhecimento dos grandes, mas pelo discernimento dos pequenos e fracos, o caminho que nos leva ao menino de Belém.

A revelação aos magos, vindo do Oriente, é a manifestação de Deus aos pagãos. A salvação de Deus é oferecida a todos e a ninguém discrimina.

O encontro dos Magos com Jesus os fez retornar por outro caminho. Mudou a vida deles. O nosso encontro com o Senhor também, deve levar-nos a tomar novos caminhos, provocar uma transformação das nossas vidas. A mudança de rota é na Bíblia símbolo da conversão. Que mudanças a Palavra de Deus exige de nós, hoje? Certamente são novas trajetórias pessoais, familiares, comunitárias, socioeconômicas, políticas e ecológicas para não expor a vida inocente à maldade dos homens.erodes de hoje.

Viver a Epifania é assumir o Evangelho e a prática de Jesus Cristo como estrela guia, regra de vida, luz que ilumina toda a nossa vida e caminhada na história, acalenta os que a recebem e desmascara os hipócritas. Nossa missão é manifestar Jesus ao mundo através de sua mensagem e de sua maneira de ser.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística
Como povo celebrante somos epifania da Igreja, cidade-luz, mistério de comunhão. Somos povo peregrino, convocados à fraternidade universal, ao diálogo ecumênico e ao anúncio da Boa-Nova da salvação.

Em profunda adoração, damos graças ao Pai porque em Jesus, ele se manifesta como luz para todos os povos, e nos arranca da tentação de fechar o mistério do Natal a um determinado povo, cultura, tempo ou lugar.

Participamos da manifestação pascal do Senhor, oferecendo nossos dons, “não mais ouro, incenso, mirra, mas o próprio Jesus Cristo imolado e recebido em comunhão nos dons que o simbolizam”, como rezamos na oração sobre as oferendas.

É com Ele, por Ele, e n’Ele que entregamos nossa vida a serviço da misericórdia salvadora de Deus que passa pelos pobres e se coloca nas encruzilhadas dos caminhos da história para todos que nelas peregrinam.

Mesmo sendo Natal, celebramos a Páscoa. Embora estejamos jubilosos com o nascimento não omitimos a paixão. A oração sobre as oferendas alude a este fato claramente: “Olhai com bondade a vossa Igreja que já não vos apresenta ouro, incenso e mirra, mas o próprio Jesus Cristo, imolado e recebido em comunhão nos dons que o simbolizam”.

PRECES DOS FIÉIS
Presidente: Que o Senhor nos conceda a sua Luz divina para nossas vidas pessoais, para a Igreja e para toda a sociedade.
1. Senhor, que a Igreja possa ter o dom do conselho para ajudar quem vive na escuridão a encontrar a tua Luz. Peçamos:
Todos: Vós que sois nosso Deus, dai-nos vossa paz!
2. Senhor, que os governantes, principalmente aqueles que foram recentemente eleitos pelo povo, tenham uma gestão marcada pelo respeito a todos e não pela violência. Peçamos:
3. Senhor, que nossa comunidade possa caminhar nas estradas de Jesus, vivendo na fé e no amor todos os dias de nossas vidas. Peçamos:
4. Senhor, que em cada um de nós possa brilhar a tua Luz, para que possamos ser testemunhas autênticas da espiritualidade cristã. Peçamos:
5. Senhor, que tua graça nos ajude a viver como peregrinos que buscam a Luz divina, a exemplo dos Reis Magos. Peçamos:
(Outras intenções)
Presidente: Senhor, tornai a nossa oração tão grande quanto ao mundo que quereis salvar, tornai-nos solidários com as aspirações de todos os homens e mulheres, particularmente àqueles que professam a mesma fé em Cristo, nosso Senhor.
Todos: Amém.
III. LITURGIA EUCARÍSTICA
ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS:
Presidente: Ó Deus, olhai com bondade as oferendas da vossa Igreja, que não mais vos apresenta ouro, incenso e mirra, mas o próprio Jesus Cristo, imolado e recebido em comunhão nos dons que o simbolizam.
Por Cristo nosso Senhor.
Todos: Amém.

ORAÇÃO PÓS-COMUNHÃO:
Presidente: Ó Deus, guiai-nos sempre e por toda parte com a vossa luz celeste, para que possamos acolher com fé e viver com amor o mistério de que nos destes participar. Por Cristo, nosso Senhor.
Todos: Amém.

V. RITOS FINAIS

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:
Presidente: Deus que vos chamou das trevas à sua luz admirável, derrame sobre vós as suas bênçãos e vos confirme na fé, na esperança e na caridade.
Todos: Amém.

Presidente: Porque seguis confiantes o Cristo, que hoje se manifestou ao mundo como luz entre as trevas, Deus vos torne também uma luz para os vossos irmãos e irmãs.
Todos: Amém.

Presidente: Terminada a vossa peregrinação, possais chegar ao Cristo Senhor, luz da luz, que os magos procuravam guiados pela estrela e com alegria encontraram.
Todos: Amém.


Presidente: (Dá a bênção e despede a todos)

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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