sábado, 20 de novembro de 2010

PERSPECTIVAS PASTORAIS



18 de abril de de 2010

Frei Faustino Paludo, OFMCap

O Sacramento da Penitência é uma celebração litúrgica da Igreja. Mas o que importa é celebrá-lo de modo que as riquezas deste sacramento se manifestem e os reconciliados se convertam em promotores de relações reconciliadas, de perdão e de paz.


O Documento de Aparecida reitera a urgência de se valorizar o sacramento da Penitência. “Como pastores, somos chamados a fomentar a confissão freqüente. Convidamos nossos presbíteros a dedicar tempo suficiente para oferecer o sacramento da reconciliação com zelo pastoral e entranhas de misericórdia, a preparar dignamente os lugares da celebração, de maneira que sejam expressão do significado deste sacramento. Igualmente, pedimos a nossos fiéis que valorizem este presente maravilhoso de Deus e se aproximem dele para renovar a graça batismal e viver, com maior autenticidade, o chamado de Jesus a serem seus discípulos e missionários” (DA 177).

A valorização do sacramento da Penitência está vinculada à qualificação da vida cristã como vida batismal. Para isto, faz-se necessário dar continuidade à missão da Igreja que, à luz da Boa nova de Jesus, enfatiza mais o amor misericordioso do Pai que o pecado, sem, todavia, descuidar da autêntica consciência  sobre o sentido e as dimensões do pecado.

Há regiões em que o sacramento da Penitência “está em baixa”  ou diminuiu, pelo fato de ser um sacramento desconhecido no seu significado e na  sua prática. Não faltam os que o buscam e desejam celebrá-lo, “mas não sabem como, nem quando e nem com quem”.  Além do mais, ele requer uma iniciação à sua celebração e uma catequese que eduque à prática da conversão como caminho para a vivência do mistério pascal.

É preciso valorizar a dimensão comunitária e social do Sacramento. A Igreja inteira age de diversos modos no exercício da obra da reconciliação que Deus lhe confiou (RP. n. 8). No contexto da atual realidade da sociedade, torna-se urgente a necessidade da acolhida serena e da disponibilidade para a escuta e o diálogo. Nesta perspectiva, a comunidade eclesial deveria apresentar alternativas, propondo lugares e pessoas qualificadas para o serviço da acolhida e do diálogo reconciliador.

Uma autêntica vida penitencial requer qualificados momentos celebrativos. Estes requerem um espaço digno e adequado, acolhida bondosa e da proclamação da Palavra de Deus, um desenvolvimento harmônico e orante da ação sacramental. Não basta realizar o sacramento. É preciso celebrar de modo que as pessoas, tanto os penitentes quanto os ministros, mergulhem na experiência da misericórdia de Deus.  É preciso aproveitar bem os gestos humanos nas ações rituais do sacramento da Reconciliação.

O resgate da vida cristã como caminho de conversão rumo à santidade pode ser alimentado pelas celebrações penitenciais que, segundo o Ritual da Penitência: “são reuniões do povo de Deus para ouvir a sua Palavra que convida à conversão e à renovação de vida, proclamando também nossa libertação do pecado pela morte e ressurreição de Cristo” (RP. n. 36). 

Na pastoral da Penitência se faz necessário valorizar os dias e tempos litúrgicos que, por sua natureza, têm um forte apelo à conversão e à penitência, tais como: a Quaresma e o Advento. Ou em outros momentos significativos como: a primeira Comunhão Eucarística, a Confirmação, o Matrimônio, as peregrinações, as novenas e tríduos das festas de padroeiros, os encontros e os retiros espirituais.

Assim, a celebração do sacramento da Reconciliação será uma ação pela qual a Igreja proclama sua fé e dá graças a Deus pela liberdade com que Cristo nos libertou (Gl 4,31).

 


Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.         Em sua comunidade ou paróquia, quando e como é celebrado o sacramento da Penitência?
2.         Como você gostaria de celebrar o sacramento da Penitência e Reconciliação?
3.         O que as pessoas mais valorizam na celebração do sacramento da Penitência?
4.         O que fazer para que o sacramento da Penitência seja mais conhecido no seu significado e melhor celebrado?


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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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