domingo, 27 de março de 2011

Justiça e Paz


Por: DOM PAULO MENDES PEIXOTO 
BISPO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP
www.bispado.org.br
A fonte de todo bem tem sua maior solidez na justiça e na paz. Não existe verdadeira felicidade sem que todas as pessoas estejam vivendo bem, com dignidade e harmonia. Os conflitos e dificuldades fazem parte da construção de um mundo novo.

Muitas coisas dificultam o diálogo e a aproximação entre as pessoas. Uma delas, a mais forte, é a opressão nas diversas situações, especialmente econômica, a fome, o distanciamento das condições normais de sobrevivência. Isto pode ser fruto de injustiça, provocando a falta de paz.

É interessante observar que a verdadeira fé em Deus torna uma pessoa justa, mais solidária e comprometida com a paz. Não pode ser uma fé fundamentalista, que exclui quem não é do mesmo pensamento e da mesma prática de espiritualidade. 

Falar de justiça e paz é falar do bem comum. Isto é difícil acontecer num mundo de violência, de individualismo e de falta de corresponsabilidade na condução da sociedade. A prática do mal é muito forte, que até inabilita os bem intencionados de agir.

Pela falta de justiça e paz, somos marcados por insegurança, pelo perigo e pelo cansaço. Vivemos o clima de tensões, de medo, de impossibilidade de sair das crises e problemas que nos atingem. É a fé em Deus que é capaz de nos habilitar para a confiança.

Somente a certeza da presença de Deus na história faz com que haja verdadeira libertação, porque ele é fonte de vida e oferece todos os recursos necessários para seus filhos. Deus é fonte de justiça e paz duradouras.

A quaresma é um convite insistente para que sejamos novas criaturas. Isto significa entrar em outra condição humana, de paz com Deus, de bem-estar e alegria. É dimensão pessoal que nos capacita para relacionamentos fraternos com o próximo.

A justiça e a paz fazem com que tenhamos harmonia conosco mesmos, com os outros, com a natureza e com Deus. É a confirmação de uma esperança que não decepciona, a superação de qualquer confusão, tendo alicerce na certeza do amor.


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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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