terça-feira, 22 de março de 2011

Pecado e Reconciliação


"Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoares os pecados, ficam perdoados, aqueles a quem os retiverdes, serão retidos." Jo 20,22


1. O PECADO:
O pecado é uma ruptura com Deus. É uma atitude de desordem interior e de falta de harmonia entre os irmãos, que nos afasta de Deus, de viver em comunhão com Ele e com a Igreja.
Pelo pecado interrompemos a nossa relação filial com Ele, pela reconciliação experimentamos a alegria do regresso à casa paterna, reconciliamo-nos conosco próprios e com a igreja que nos acolhe. É Deus que pela Sua misericórdia infinita nos reconduz à convivência com Ele e à comunhão com os irmãos.

O pecado mortal é sempre uma conduta ou a prática de um ato livre e consciente, sabendo de antemão que isso implica uma ruptura com Deus, uma desobediência deliberada aos Seus mandamentos. O pecado mortal separa-nos de Deus, é como se caminhássemos em sentido oposto ao que Ele nos indica.

O pecado venial afasta-nos de Deus, sem O abandonarmos, por isso não nos priva da Sua convivência.

2. O SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO:
No Catecismo da Igreja Católica, o sacramento da Reconciliação vem inserido nos sacramentos de cura, juntamente com a Unção dos doentes. O pecado, esta desordem interior, carece sempre da intervenção de Deus, que nos vai curando pela Sua misericórdia. Pelo sacramento da Reconciliação Jesus cura-nos.

Este sacramento é a concretização do apelo de Jesus à conversão permanente, não à conversão exterior mas à conversão interior, do nosso coração. Uma reorganização da nossa vida interior, rejeitando tudo o que nos afasta de Deus e orientando-nos segundo os seus desígnios, num firme propósito da prática do bem, de revisão da nossa vida, na aceitação do sofrimento, na disposição firme de aceitar e de seguir Jesus.

Esta conversão interior está personificada na parábola do filho pródigo (Lc. 15,11-32) em que Jesus nos descreve a saída do filho mais novo da casa paterna, no desperdiçar da sua vida e dos seus bens, acabando por ficar na extrema pobreza. Sofreu fome, humilhação, abandono e vergonha, tudo suportou até ao dia em que interiormente sentiu o chamamento de Deus e regressou à casa do Pai, num desejo intimo de viver em comunhão com Ele. O carinho com que foi recebido o acolhimento do Pai é o mesmo que nos é dado quando nos aproximamos do sacramento da Reconciliação.

O sacramento da penitência e da reconciliação liberta-nos e Jesus vai curando e vai fazendo com que o nosso coração fique mais puro, mais dócil à vontade de Deus. Traz-nos paz interior e restitui-nos a dignidade de filhos de Deus, conduzindo-nos à convivência harmoniosa dos irmãos.

A confissão é sempre um chamamento de Deus, que anseia sempre pelo nosso regresso. A iniciativa de nos aproximarmos do sacerdote é livre, é por isso nossa. Deus não coage ninguém a pedir perdão dos pecados, mas Ele espera-nos, acolhe-nos e perdoa-nos. Este impulso que nos leva a pedir perdão e, conseqüentemente, a abeirarmo-nos do sacerdote, foi colocado por Deus no nosso coração, que permanentemente nos chama à conversão e à santificação.

M. Lourdes Azinheiro 
Pneumavita

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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