segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O banquete de Deus


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Dom Paulo Mendes Peixoto

Bispo de São José do Rio Preto - SP

A vida é dom de Deus, colocada no mundo numa dimensão de banquete. Mas sabemos que nem tudo é festa, alegria e felicidade. A festa existe quando bem organizada e formada pelos convidados que aceitam livremente participar e se preparam para isto.
A vinda de Jesus Cristo ao mundo foi como uma festa de casamento. Aconteceu o encontro dele com a humanidade, criando enlace matrimonial. Uma festa que continua na história. Participar dela supõe superação de tudo que destrói o que a constitui.

A fraternidade é o banquete da vida, que significa destruir os caminhos de sofrimento, de isolamento e de morte. É fruto de confiança e de entrega ao bem. É a certeza no Deus da vida, caminhando sob a proteção do bastão e do cajado do pastor divino.
No banquete de Deus, o verdadeiro pastor não deixa as ovelhas no curral, na enganação e na falta de liberdade. Ali ninguém se vende e nem desvia o que é bem para todos. É o banquete da solidariedade, das convicções, da partilha e da soma de valores.
Participar da festa do Senhor é comprometer-se com a justiça do Reino. É não concordar com as tramóias realizadas pelas falsas lideranças na sociedade. Este fato causa indignação e revolta na comunidade.
Muitas atitudes nos excluem do banquete de Deus. Há os que não aceitam o convite porque sua participação exige atitudes de justiça. Ali não é local de privilégios e de lucros pessoais. É o banquete da construção da sociedade justa e fraterna.
Na verdade, todas as pessoas são convidadas para construir o bem e para a alegria da festa. Devem abrir as portas do coração e atender a voz de Deus, superando os interesses próprios e egoístas. É não ter medo de vestir o traje da justiça.
O banquete de Deus é espaço de liberdade e vida para todas as pessoas, onde há gratuidade e solidariedade com os mais necessitados e empobrecidos. Somos chamados aí para uma atuação política de liberdade, sem falsas promessas.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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