quarta-feira, 17 de julho de 2013

Palavra ao alcance

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Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)
O ideal de vida conforme Cristo parece ser um desafio não superável. De fato, quem está afundado nos vícios e nos descaminhos da vida não vê perspectiva além dos próprios limites. No entanto, como o próprio anjo Gabriel disse a Maria no anúncio da sua concepção, “para Deus nada é impossível” (Lucas 1,37). Como o ser humano fez opção desde o inicio para encetar o próprio caminho à mercê de suas próprias forças, ele se viu na nudez de sua miséria para transpor o abismo da separação de seus limites com o poder divino. O próprio Deus, não vencido em seu projeto de dar possibilidade à realização humana, quis oferecer oportunidade a que suas imagens e semelhanças pudessem reencontrá-Lo para um projeto de vida realizador. Através de Jesus falou com palavra humana sobre seu projeto divino.

A Palavra de Deus, no Verbo, o Filho, se apresentou ao alcance do humano. De ora em diante é só segui-Lo para se achar o caminha da vida de sentido. A conversão é possível. O exemplo do bom samaritano é característico para ser imitado por quem deseja seguir o Mestre (Cf. Lucas 10, 25-37). Tantos e tantas perceberam a razão da vida nesse seguimento. Madalena, Pedro, Paulo, Agostinho, Inácio de Loyola e inúmeros outros verificaram que a vida só tem sentido se for vivida na doação de si para amar. Alguns amaram a partir do amor natural, sem perceberem a ação da graça de Deus neles. Outros tiveram o grande impulso do amor cristão, que os fez apóstolos, verdadeiros discípulos e missionários de Cristo.
Já na época de Moisés vemos o que Deus revelou ao povo hebreu: “Ouve a voz do Senhor teu Deus e observa todos os seus mandamentos... esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir” (Deuteronômio 30,10.14). Deus não apresenta ao ser humano o que não é possível de se seguir. Mesmo quando Jesus fala para sermos perfeitos como o Pai, ele sabe de nossa fraqueza, mas nos dá a certeza de que Deus vê e recompensa nosso esforço e nossa boa vontade para tentarmos, o máximo possível, buscar o ideal do amor divino. Deus não nos condena porque erramos. Nossa condenação ou irrealização humana vem de não tentarmos colocar em prática o amor que Ele nos propõe.
Muitos querem que a Igreja mude as verdades de fé e aceite outras referências de ética e moralidade. Seria uma desvalorização de nossa própria capacidade de superação de nossos limites a aceitação de qualquer coisa como “bondade ética ou moral”. Uma coisa é a misericórdia por ainda não termos conseguido conquistar o ideal. Outra é não ter ideal para conquistar!
A Palavra de Deus é capaz de nos transformar e dar vida nova. Basta tentarmos aplicá-la em nós e no convívio com o semelhante. Seremos criaturas e teremos posturas novas, a ponto de refazermos a razão de ser de nossa vida, para realmente sermos imagens e semelhanças de Deus. Ele cuida de tudo e nos dá a incumbência de cuidarmos de nosso convívio e do planeta com amor.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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