segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A ganância


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Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)
Uma realidade identificada como injusta e iníqua só se transforma quando se converte em atos de solidariedade e justiça social. Isto significa que a ganância não deve ter espaço, nem entre os ricos, e nem entre os pobres. Ela revela uma prática que dificulta a partilha, a fraternidade e impede a pessoa de perceber o mal que poderá estar fazendo e não facilita a existência do bem comum.

Muitas pessoas ricas esbanjam e aproveitam a vida sem se importar com a ruina do povo. Por outro lado, poderiam fazer muito bem se se colocassem um pouco de seus dotes econômicos para amenizar o sofrimento de inúmeras famílias necessitadas e vivendo em condições totalmente desumanas. Deixar-se levar pela sociedade de consumo é cair na atitude de comprar o que é desnecessário.
Enquanto uns estão sempre distribuindo alimentos, outros tiram o pão da boca do povo. É preciso aprender o que é a justiça e o direito. O luxo e a luxúria podem ser entendidos como sintoma de irresponsabilidade, que é uma realidade própria da classe dominante e inescrupulosa. São práticas que estão na mira das profundas críticas dos profetas, como as do profeta Amós (Am 6, 1-7).
O evangelista Lucas cita o caso de um rico, sem nome, e um pobre chamado Lázaro. O rico faz inúmeras festas para amigos. Lázaro é um maltrapilho e pedinte, querendo matar sua fome com as migalhas da mesa do rico, mas a insensibilidade do rico dificulta que isto aconteça e demonstra pobreza interior, que podemos interpretar com a seguinte frase: “O rico era tão pobre que só tinha dinheiro”.
Na cultura brasileira, muita coisa sobra e é descartada de forma quase sempre errada. Faltamos até com a educação, jogando lixo para todo lado. Além de desperdiçar, não contribuímos com a limpeza, com a higiene e, em determinadas situações, ajudamos a criar doenças. Aqui podemos citar o caso do mosquito da dengue, fruto da nossa falta de atenção e de cooperação com a realidade pública, prejudicando todo mundo.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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