quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Deus conosco


QUA, 25 DE DEZEMBRO DE 2013 12:44 CNBB
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Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

O centro da vida e da liturgia cristã é a Páscoa! E é justamente nessa luz da ressurreição que entendemos a celebração do Natal! Aquele que veio para nos dar a vida para nos salvar é o Deus conosco, que nasceu de Maria Virgem, em Belém.

 Portanto, o berço, a "manjedoura" está na sombra da cruz e do sacrifício, mas também à luz da Ressurreição. O mistério da Encarnação do Filho de Deus está escondido no mistério da Páscoa. Os sinais da luz que brilha no meio das trevas estão presentes nessas celebrações.
Cada festa tem suas repercussões populares e culturais diferentes. Em muitas culturas, a Véspera de Natal é um ambiente familiar único: presépio, músicas natalinas, comida tradicional, Missa do Galo à meia-noite e um céu estrelado. Natal sempre será tempo para a família e os amigos – a presença física com as pessoas que mais amamos. Mesmo os que não creem em Cristo, de uma forma ou outra, são contagiados pelo clima natalino que chama à gratuidade, generosidade, fraternidade. Porém, para os cristãos o sentido último do Natal iremos encontrar no ápice do ano litúrgico, que é o Tríduo Pascal, a festa das festas.
E foi a luz do mistério pascal celebrado pelos primeiros cristãos que deu origem a outras festas, incluindo a Natividade de Jesus. Pode-se dizer que o mistério da Encarnação de Jesus em Belém estava escondido desde o começo do mistério da Páscoa. Assim foi também a redação dos evangelhos.
Hoje é Natal, uma grande festa para todos os cristãos! Mas o Natal não tem um significado religioso somente para os cristãos. A imagem de Maria, José e o Menino, que envolve o imaginário de cada homem, faz surgir muitos pensamentos sobre as questões fundamentais da vida e do destino da pessoa, ou seja, o significado de sua vida. O que impressiona, além do sentido religioso do Natal, é o sentimento associado a ele: a santidade da família e a felicidade que ela deve trazer. Cristo, que no Natal se faz pequeno para viver entre os homens e as mulheres, nos ensina cada vez mais a pobreza e o despojamento de um Deus que assume a nossa natureza humana. Que seus braços abertos nos inspirem o acolhimento mútuo para vivermos em unidade com o Redentor, e sermos, assim, a imagem viva e a presença marcante do Menino Jesus entre os nossos irmãos.
No Natal contemplamos o grande mistério de Deus que se faz homem no seio da Virgem Maria. Ele nasce em Belém para partilhar a nossa frágil condição humana. Vem entre nós e traz a salvação ao mundo inteiro. A sua missão será reunir os homens e os povos na única família dos filhos de Deus. É a proximidade de Deus que somos convidados a anunciar com alegria aos povos. Ao homem, que com o pecado tinha se afastado do Criador, é agora oferecido em Cristo o dom de uma nova e mais plena comunhão com Ele. O Natal reacende no coração dos homens e mulheres a esperança, enquanto se voltam a abrir para a humanidade as portas do paraíso.
É Natal! Fazemos memória do nascimento de Jesus Cristo! Já brilha para nós o Sol nascente que ilumina os que jazem nas trevas e na sombra da morte e guia nossos passos no caminho da paz (cf. Lc 1,78-79).
Que a luz do Cristo presente entre nós, descortinando os desígnios divinos para a humanidade, resplandeça em nossos corações para que sejamos anunciadores de um mundo novo onde a justiça, a paz, a fraternidade e a caridade superem as trevas da violência, do egoísmo e da indiferença.
Seja este tempo um renovar de esperanças e de concretizar ideais em sua vida e no âmbito de seus relacionamentos e atuação, para que a luz do Sol nascente perdure ao longo do novo ano que se aproxima.

Feliz e abençoado Natal a todos! O Redentor veio habitar entre nós!

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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