sábado, 4 de janeiro de 2014

Artigo de dom Meinrad Francisco Merkel

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Irmãos e Irmãs de caminhada:
Paz e Bem!

Escrevo este artigo nas vésperas do Ano Novo - chocado ainda pelos aconteci-mentos que lançaram sombras sobre as festas natalinas nesta Diocese. Todo mundo sabe do sumiço de três cidadãos na BR 230 depois do dia 15 de 12. Mas ninguém sabe preci-samente o que aconteceu. Sabemos da dor dos familiares que ficaram sem notícias sobre o paradeiro de seus parentes e se ainda estavam com vida ou se já morreram. Da parte da Polícia Federal e da FUNAI não houve empenho convincente na elucidação dos fatos. Não é a primeira vez que fatos tristes ficam sem a devida atenção por parte das autori-dades constituídas para cuidar da segurança pública.

A lentidão ou o desinteresse da Polícia Federal, da Fundação Nacional do Índio, da Promotoria Pública frustraram familiares, parentes e amigos. Esgotou-se a paciência de uma boa parcela da população e gerou-se o plano de uma manifestação pacífica. Blo-queou-se a travessia sobre o Rio Madeira. Ora, o acesso à Transamazônica é vital para quem quer viajar às cidades de Apuí e Santo Antônio do Matupí, às aldeias indígenas ou chegar à sua casa à beira da Estrada BR 230 – todos ficariam penalizados com este blo-queio. A intenção foi clara: Chamar a atenção dos governantes em nível Estadual e Fe-deral: Os cidadãos desta parte do Amazonas merecem a mesma atenção e o mesmo am-paro que os outros cidadãos neste vasto país. Desde a demarcação das terras, o pedágio imposto sem negociação (outubro 2006) até o desaparecimento de várias pessoas se criou a sensação de impotência e de ausência do Estado. Também os povos indígenas recla-mam de uma política antiindigenista! - Até onde o Estado cumpre seu papel? E quem pode pedir satisfação dele no momento do descumprimento?
Dá para perceber que a revolta não foi – simplesmente – de Brancos contra Ín-dios. Explodiu a frustração também contra um aparato anônimo que se chama Estado. Quantas vezes a população se depara com funcionários que mal atendem, não informam corretamente, não zelam pelo encaminhamento de documentação, não prestam conta dos recursos públicos, enfim parece que ninguém é responsável por nada. A computatoriza-ção aumenta esta sensação de impotência. Parece que o cidadão só é bom para pagar impostos...
Ora, o potencial que se descarregou nestes dias causando destruição do patrimô-nio público, poderia ser empregado para a reorganização de nossa sociedade local. De certa forma vivemos em clima de paz, somos cristãos, não passamos por uma situação de miséria material, temos estruturas e instituições que, embora não perfeitas, prestam al-guma ajuda para um convívio decente. O que falta? – Quero apontar alguns itens que me parecem importantes: Precisamos de lideranças que continuamente aperfeiçoam seu papel, que têm agudo grau de consciência ética, que juntam coragem com persistência. – Devem ser pessoas que sabem escutar, refletir, partilhar com outras pessoas de bem, elaborar uma estratégia para conseguir os objetivos e que sempre prestam a informa-ção necessária (transparência) para contar com o povo como aliado. E também da parte do povo precisamos das atitudes de escuta e reflexão, debate e participação - da fiscali-zação das obras e da prestação de contas. Recordo com saudade da matéria de Organi-zação e Política (OSPB), Moral e Cívica nas escolas. Ou da instituição de Ouvidorias. É urgente repensar a maneira de fazer política e elaborar leis. – O ano eleitoral está aí. Va-mos testar o grau de consciência e ética dos nossos representantes antes de dar nosso voto. Somente um belo programa de partido não basta!

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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