terça-feira, 28 de abril de 2015

Celebrar o Concílio: Somos herdeiros desta graça!

Dom Francisco Biasin

Celebrar o Concílio: Somos herdeiros desta graça!

Dom Francisco Biasin
Bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ)

O Concílio Vaticano II foi sem dúvida o maior acontecimento eclesial do século XX. Comemorando o Jubileu de ouro de sua conclusão, a 53ª Assembléia Geral da CNBB promoveu dois momentos solenes a fim de celebrar em ação de graças pelos frutos que produziu.

Um primeiro momento foi a Solene Sessão celebrativa, com a presença de irmãos e irmãs de outras igrejas e comunidades eclesiais na sexta feira, dia 17 de abril. Eles foram convidados para se alegrar conosco, filhos da Igreja Católica, pois foi a partir do Concílio que se descortinaram novos horizontes de diálogo e de encontros fraternos.
Um outro momento aconteceu no dia 21 de abril na celebração eucarística no início do dia. Nela a presença de dois bispos ainda vivos, que participaram do evento conciliar e dele são testemunhas vivas, garantiu a todos os irmãos bispos a transmissão do patrimônio conciliar e ao mesmo tempo estimulou em todos a vontade de incrementar de forma convicta o novo estilo de ser Igreja inaugurado pelo próprio Concílio.
De fato ele não deve ser lembrado como um fato do passado, como se fosse um momento histórico que vai se distanciando. Permanece como uma tarefa sempre atual. É nossa constante tarefa acolher, assimilar, interpretar de maneira criativa o Concílio diante da nova realidade cinquenta anos depois.
Em primeiro lugar é preciso acolher. Infelizmente assistimos na Igreja hoje à atuação de fiéis que apresentam resistências fortes diante da renovação provocada e trazida pelo Concílio. Esses nossos irmãos e irmãs esqueceram que um Concílio Ecumênico tem a assistência garantida e forte do Espírito Santo na Igreja. Resistir ao Concílio significa resistir à luz e à ação do mesmo Espírito na Igreja.
Depois é preciso assimilar o Concílio. Isso significa deixar-se impregnar do espírito que o animou. Trata-se de um novo estilo de ser e de viver a Igreja. O chamado à santidade de todos os membros do Povo de Deus, a partilha de responsabilidade por parte de bispos, presbíteros, diáconos e fiéis leigos na vida e na ação missionária da Igreja, a abertura plena ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso e com homens e mulheres de outras convicções, são características marcantes de uma Igreja renovada pelo Concílio.
Enfim devemos interpretar de maneira criativa o próprio Concílio diante das exigências de um mundo em mudança. O próprio Concílio de fato não se concebe a si mesmo como uma tarefa concluída, mas como um processo, sempre estimulado pelos sinais dos tempos, a indicar caminhos que a Igreja é chamada a percorrer na evangelização de povos e culturas protagonistas da sua própria história.
Escrevo esta reflexão enquanto participo das sessões da 53ª Assembléia da CNBB aos pés da imagem de Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. Aqui respira-se um ar de profunda espiritualidade no clima de fé simples criado pela presença de romeiros provindos de todo o país.
Neste clima não é difícil sentir a Igreja, pois pastores e fiéis constituem aquele Povo de Deus cuja imagem foi resgatada da história da salvação pelo Concílio Vaticano II.
Nós não estivemos lá, mas somos herdeiros do Concílio e de sua tarefa confiada à Igreja: somos os herdeiros desta bênção!
Peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos fortaleça para manter viva a esperança que ele nos trouxe. Que saibamos suscitar abundantes frutos para a vida da Igreja e do mundo!

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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