sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A corresponsabilidade dos ministérios leigos na ação evangelizadora

Dom Adelar BaruffiBispo de Cruz Alta (RS)
Após os ares renovadores do Concílio Vaticano II, houve um crescimento da presença e ação dos leigos na Igreja. O único povo de Deus tem “um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4,5). Pelo nosso batismo, “reina entre todos verdadeira igualdade quanto à dignidade e ação comum a todos os fiéis na edificação do Corpo de Cristo” (LG 32). A Igreja reconhece que “é específico dos leigos por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus.” (LG 31). Também, pelo mesmo batismo, participam, através de ministérios e serviços, na ação evangelizadora e na vida das nossas comunidades.

Corresponsáveis pela vida da Igreja
Os leigos são corresponsáveis, na comunhão eclesial, de toda a vida da Igreja: “devem ser considerados não como ‘colaboradores’ do clero, mas como pessoas realmente ‘corresponsáveis’ do ser e do agir da Igreja.” (Bento XVI, 10/08/12). Portanto, quando os leigos exercem um serviço ou ministério em sua comunidade não o fazem para auxiliar o padre, a não ser em casos específicos, mas para viver sua vocação e missão. Há uma dignidade e corresponsabilidade comum, exercida de diferentes modos, na complementariedade, segundo o que é próprio de cada ministério. “De fato, cada batizado é portador de dons que deve desenvolver em unidade e complementaridade com os dons dos outros, a fim de formar o único Corpo de Cristo, entregue para a vida do mundo. Cada comunidade é chamada a descobrir e integrar os talentos escondidos e silenciosos que o Espírito presenteia aos fiéis.” (DAp 162).
Espírito de doação e serviço
Os ministérios leigos podem ser classificados como “reconhecidos”, “conferidos” ou“confiados” (cf. CNBB, Doc. 62, n.87). Todos eles trazem uma marca comum: o desejo de servir e a doação de si aos irmãos, por causa da fé. É uma doação voluntária, sem remuneração, marcada pela gratuidade e pela gratidão à bondade de Deus que se manifesta de muitas formas. Agem pelo desejo interior de comunicar a boa nova do Reino e serem promotores da vida, como nos diz o Documento de Aparecida: “Conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber: tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (n. 29).
O ministério da Palavra e o serviço à vida
Vários ministérios e serviços são necessários para a Igreja exercer sua missão. É certo, porém, que cada época tem prioridades. Uma grande necessidade do nosso tempo, de “uma Igreja em saída”, com espírito missionário, é o ministério da Palavra, que se concretiza na missão dos catequistas, na formação cristã, nos animadores das pequenas comunidades que se constituem a partir da Leitura Orante da Bíblia e dos ministros que presidem a celebração da Palavra nas comunidades. Outro serviço exigente e necessário de nosso tempo é o serviço da caridade. São todos os que, movidos pela compaixão, vão ao encontro dos sofredores, nas diversas pastorais e organizações da caridade da Igreja. Desde o início da Igreja, a caridade é a marca distintiva da comunidade cristã, como nos diz Paulo: “recomendou que nos lembrássemos dos pobres” (Gl 2,10).
Queremos ser uma Igreja ministerial. Nosso reconhecimento e gratidão a todos os leigos e leigas que se colocam a serviço da evangelização na comunidade eclesial, em algum serviço, conselho, equipe, pastoral, movimento ou ministério. “Servi ao Senhor com alegria” (Sl 100,1).
http://www.cnbb.org.br/artigos-dos-bispos-1/432-dom-adelar-baruffi/17164-a-corresponsabilidade-dos-ministerios-leigos-na-acao-evangelizadora

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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