quarta-feira, 29 de maio de 2013

Tempo propício

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Dom Demétrio Valentini 
Bispo de Jales (SP)
Celebrado o Pentecostes, retomamos o “tempo comum”. A palavra pareceria ter conotação depreciativa, como se fosse um tempo desprovido de importância. Ao contrário, é o tempo oportuno, a época favorável, a hora boa para integrar em nosso cotidiano a abundância de graças que Deus nos proporciona.

Além do mais, neste ano que já nos surpreendeu com a renúncia de um papa e com a eleição de outro, que desencadeou tantas esperanças, começamos a nos dar conta que se aproxima a hora de comprovar a que veio o Papa Francisco.
Para completar o seu “batismo de fogo”, ele precisa ainda passar pela prova de sua primeira viagem intercontinental, justamente aqui no Brasil, no próximo mês de julho.
Depois, começarão as cobranças. Até porque se trata de mudanças que se fazem logo, ou não se fazem nunca, pela força de resistências históricas que suscitam.
O fato é que as esperanças voltaram. E quanto mais fortes, mais urgência demandam.
No diálogo com a Samaritana, pelo visto, a colheita ainda estava longe. “Não dizeis: ainda quatro meses, e depois será a colheita?” (Jo 4,35). Portanto, ainda faltava bastante.
Mas para Jesus, diante da sede de salvação dos samaritanos, a colheita estava madura, era hora de meter a foice para colher o trigo. “Pois eu vos digo, levantai os olhos e vede os campos, como estão dourados, prontos para a colheita!”
Jesus vivia com tanta intensidade sua missão, que fundia os tempos que separavam suas etapas. De tal modo que estimulado pelo presente que o empenhava por inteiro, ele antecipava o futuro, e o vivia com igual intensidade e na mesma simultaneidade.
Quase dá para dizer a mesma coisa diante da intensidade de expectativas suscitadas pelo Papa Francisco. Com certeza, elas se depararão com dificuldades que levarão muito tempo para serem vencidas. Mas bastaria iniciar o processo, para se tornar irreversível.
Por enquanto, a simpatia pelo novo papa vai acumulando apoios, que a seu tempo se tornarão muito úteis para sustentar o processo de mudanças, por ele já sinalizadas.
Verdade é também que não precisamos aguardar as iniciativas do Papa para fazer a nossa parte. Nós também podemos perceber que os campos estão maduros, e somos desafiados a ser “operários para a colheita”, que o dono da messe quer contratar!
O processo desencadeado pelo Concílio abriu muitas possibilidades de participação, que estão ao nosso alcance. A recente Conferência de Aparecida, onde o atual papa deu sua preciosa colaboração, nos lembrou que todos somos “discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele todos os povos tenham vida”.
Esta nossa identidade de cristãos ficou agora ainda mais aguçada pelo testemunho generoso do Papa Francisco, que mostra tanta coerência e lucidez em seus gestos e em seus ensinamentos.
“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Parece chegada a hora de retomar o impulso renovador do Concílio Vaticano II.
O tempo é propício! Os ventos são favoráveis, temos a certeza, eles são verdadeiros “Buenos Aires!”, trazem a marcam do Papa Francisco!

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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