segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Viva a mãe de Deus e Nossa, a Senhora Aparecida

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Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora (MG)
É linda a devoção à Mãe de Jesus. Ela tem origem na escolha feita pelo próprio Criador, Deus Pai, que prometera a salvação aos primeiros humanos, escolhendo Ele, Deus, uma mulher, cuja descendência esmagaria a cabeça da infernal serpente, personificação do mal.

Quando o Arcanjo Gabriel anunciou a Maria que ela seria a Mãe do Salvador, ficou patente que havia chegado a hora do cumprimento da promessa do Pai Eterno. O celestial mensageiro a saúda: Alegra-te, ó cheia de Graça! O Senhor está contigo!” Na simplicidade da jovem de Nazaré, ao esboçar sinais de justificado temor, o Anjo lhe diz: “Não tenhas medo, Maria, encontraste graça junto de Deus, tu conceberás e darás à luz um Filho e lhe porás o nome de Jesus; Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo”. E prosseguindo o celeste diálogo naquele momento único da história da humanidade, o Anjo mais uma vez a tranquiliza: “ O Espírito Santo descerá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; por isso aquele que vai nascer será chamado Filho de Deus.” ( Cf. Lc.1, 26-38)
No Concílio de Éfeso, que aconteceu entre 22 de fevereiro a 31 de julho do ano de 431, por causa de heresias surgidas, discutiu-se sobre temas cristológicos e mariológicos, entre os quais a missão de Maria na história da Salvação. Perguntou-se se seria correto atribuir a Maria o já tradicional título de Mãe de Deus, ou se deveria se limitar a invocá-la como Mãe de Jesus ou Mãe de Cristo. Os bispos e teólogos presentes chegaram à conclusão que negar o título de Mãe de Deus a Maria seria uma heresia cristológica, uma negação da divindade de Jesus, uma vez que o que nasceu de Maria, como afirmara o Anjo, não era um homem que depois se tornaria Deus, mas o próprio Filho da Trindade Santíssima encarnado, Deus e Homem verdadeiros. Ficou definido para sempre que Maria, a Mulher prometida no Gênesis, não só poderia, mas deveria ser invocada como Theotókos, Dei Para, Mater Dei, Mãe de Deus.
Uma versão antiquíssima afirma que, neste momento sublime do final do Concílio de Éfeso, São Cirilo de Alexandria, o grande teólogo do mencionado sínodo, teria se ajoelhado diante da Aula Conciliar e rezado pela primeira vez: Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte!” A expressão tornou-se oração eloquente nos lábios do povo que estava de fora do recinto, ansioso à espera da grande notícia, saindo em procissão com festivas aclamações a Jesus e a Maria. A fervorosa prece passou a ser rezada todos os dias e por todos os cantos pelos fiéis cristãos como até hoje, na segunda parte da Ave Maria.
Quando o povo brasileiro se reúne fervoroso no dia 12 de outubro, para saudar a Rainha e Padroeira do Brasil, ele canta vibrante: Viva a Mãe de Deus e Nossa, sem pecado concebida, Salve, ó Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida. Ele continua professando a fé na verdade bíblica da promessa da Salvação; ele continua proclamar a verdade eclesial inspirada no Concilio de Éfeso; ele continua a exaltar a divindade de Cristo; ele continua a louvar a Mãe do Salvador, bendita entre todas as mulheres. Ele continua a manifestar sua fé na materna intersecção daquela que ampara, protege, ama e leva ao Pai, em nome de seu Filho Jesus, as preces de cada um, as esperanças de cada coração.
A devoção a Nossa Senhora Aparecida teve início nas proximidades da cidade paulista de Guaratinguetá, em outubro do ano de 1717. A comuna se preparava para a ilustre visita do recém chegado de Portugal, o Conde de Assumar, terceiro governador da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro (ou dos campos das Gerais). Foram contratados três pobres pescadores para fornecerem peixes para o banquete. Eram João Alves, Domingos Garcia e Vicente Pedroso, que apesar de muito trabalho, nada conseguiam com suas redes no rio Paraíba. Homens de fé já apelavam para Deus a fim de que conseguissem os peixes. Eis que, derrepende sentem as redes pesarem, mas ao içamento, não viram peixes, mas apenas um pequeno objeto de cor escura que ao verificarem se revelou como pequena imagem da Virgem Maria, porém sem a cabeçinha. Ao lançarem segunda vez, se repete o fenômeno do peso e desta vez, vem-lhe às mãos a pequena cabeça que logo ajustaram à parte anteriormente pescada. Ao calor da prece no fervoroso coração dos humildes pescadores, lançando terceira vez as redes, vêem-lhes tal quantidade de peixes que não puderam senão associar o fenômeno aos relatos bíblicos da pesca miraculosa. Eles apresentaram a imagenzinha aos fiéis e o povo começou a chamá-la carinhosamente de Nossa Senhora Aparecida. De um pequeno oratório construído para abrigá-la e acolher os devotos, com a sucessão de orações e de milagres alcançados de Deus, diante daquele singelo e santo símbolo, chegou-se hoje à linda basílica nacional de Aparecida para onde acorrem milhões de peregrinos todos os anos e todos os dias.
É o povo santo de Deus, proclamando no silêncio do sensus fidelium, verdadeiro locus theologicus, as verdades da fé que maravilhosamente Deus vai enaltecendo na história.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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