quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um documento profundamente inovador: Inter Mirifica

ImprimirPDF
Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)
Poucos cristãos se recordam que o Decreto Conciliar Inter Mirifica foi o segundo documento a ser aprovado com duas notas marcantes: a sua redução expressiva de 114 artigos a apenas 24 e por ser o texto que recebeu mais votos negativos da Assembléia, 503. Isto faz lembrar sem dúvida seu caráter desbravador, pois antes deste documento só se pensava na censura ou no controle aos meios de comunicação, esquecendo das enormes e positivas possibilidades para o anuncio e a evangelização.

Nos primeiros artigos se justifica a intervenção na Igreja neste campo, apontando para as oportunidades e o progresso da humanidade. Já no nº 3 se situa a temática dos MCS na ótica do apostolado e da missionariedade da Igreja. A seguir se defende o direito a informação como basilar para criar uma sociedade convergente cimentada na verdade, o bem comum e o conhecimento. Em um segundo momento se trata de refletir e conjugar devidamente a busca de beleza, a arte com o bem moral, assunto e tópico muito presente haja visto a degradação e a falta de perspectivas axiológicas da arte contemporânea.
Passa de imediato a considerar a questão da opinião pública, na sua influência e poder, que afeta o convívio democrático e o relacionamento da Igreja com a sociedade civil. A seguir elenca responsabilidades e incumbências, a começar pelos utentes e usuários dos MCS, da sua formação e intervenção em ordem a proteger as crianças e os jovens. Porém a maior consideração pesa sobre os chamados autores: jornalistas, escritores, diretores, vendedores e críticos.
Na sequência o documento vai propor linhas de ação visando o compromisso dos pastores e dos fieis com a comunicação social como meio singular de apostolado. Se propõem iniciativas que envolvem o uso correto dos MCS e a criação de um acervo propício, a formação dos autores e receptores, um banco de meios e subsídios, a instituição do dia mundial das comunicações, secretariados nacionais, associações internacionais e finalmente um Diretório Pastoral de Comunicação para operacionalizar as normas e orientações.
Termina citando o texto de Hebreus 13,8 "Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre". Como podemos apreciar um documento profético que abriu rumos novos a caminhada da comunicação da Igreja, fazendo acontecer uma pastoral da comunicação evangelizadora e encarnada, presença e testemunho do Cristo, o grandioso Comunicador do Pai. Deus seja louvado!

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

CNBB - Imprensa