sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Alicerce da Igreja

Dom José Alberto Moura

Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo de Montes Claros (MG)

A igreja-templo deve ser usada para ajudar a Igreja-povo realizar sua missão, que se baseia no alicerce de Jesus Cristo. A conversão para segui-Lo é essencial na vida de quem quer viver sua fé nele. Usar do templo e do ser membro da Igreja, família de Cristo, devem levar a pessoa a realizar o projeto de Deus, sustentado na pessoa do Filho e em sua Palavra. O templo é o lugar da reunião dos seguidores do Mestre para realizar o culto e ter o alimento dos dons de Deus para dar suporte à vida de fé transformadora e libertadora de todo tipo de escravidão. Esta deve ser superada com a erradicação do egocentrismo, das injustiças, discriminações e exclusões. Fé sem ação conseqüente da mesma leva a pessoa ao intimismo religioso, que faz da religião um comércio ou troca com Deus. Leva a pessoa a buscar para si benesses, curas e soluções de problemas na ordem econômica, de cunho subjetivo e social, sem colocar em prática os preceitos de Deus, com um compromisso de promoção da justiça e do bem comum.

O profeta Ezequiel fala do templo donde se originam águas fertilizantes da vida. Elas provêm da graça divina, como verdadeira Igreja encarregada de abastecer o povo com a riqueza de dons, para dar consistência de realização da vida para todos (Cf. Ezequiel 47,1-12). De fato, a Igreja instituída por Jesus, é encarregada de oferecer meios da graça divina para ajudar a humanidade a ter força para a realização de sua história. Nesta, cada ser humano terá consistência e alimento sobrenatural para conseguir sua plena realização. Sem a graça de Deus nenhum ser humano é capaz de se realizar plenamente, pois, tem sede de amor infinito, que só o Criador pode oferecer. Ele o faz como quer e encarregou sua Igreja de indicar o caminho para todos: “Vós sois luz do mundo” (Mateus 5,14).
Paulo lembra que o alicerce da Igreja é Jesus Cristo: “Ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que está aí, já colocado: Jesus Cristo” (1 Coríntios 3,11). Sua Igreja só tem sentido na efetivação da missão a ela outorgada pelo Mestre. Assim como o próprio Senhor expulsou os vendedores do templo de Jerusalém (Cf. João 2,13-22), a Igreja, povo de Deus, deve esvaziar-se de tudo o que a tira de sua missão de santificar, promover a vida em plenitude, expulsar de si todo tipo de discórdia, interesses mesquinhos, orgulho, triunfalismo, hegemonia, uso indevido do que é material, apego ao relativo como sendo absoluto, autoritarismo e toda forma de opressão.
Como é bela a missão da Igreja de Cristo, que humaniza, ergue os caídos, dá esperança, promove os excluídos, dialoga, faz ver a verdade e erradica o erro, incentiva os carismas, potencializa o pavio ainda fumegante do que existe de bom na pessoa humana, reconhece os valores dos outros, sabe dar vez, promove a fraternidade, a justiça, o bem da família, da vida e de toda a sociedade!

Ser Igreja de Cristo leva a pessoa a assumir a missão de encantar, de mostrar que seguir o Mestre é o melhor bem para todos e faz a sociedade perceber o valor de construir a história com verdadeiro amor, zelo e ajuda de cada um para o bem de todos. É cuidar do grande navio da história, que deve ser de benefício para todos. Seu bem estar é de responsabilidade de cada um.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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