segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Comissão divulga mensagem sobre o Encontro das Pastorais Sociais e Organismos

A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz divulga mensagem do Encontro Nacional, que reuniu, de 18 a 20 de agosto, em Brasília, coordenadores das Pastorais Sociais e Organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).  Em consonância com a encíclica do papa Francisco, Laudato Si’, o evento abordou o tema: “Cuidado da casa do ser humano e cuidado com o ser humano, especialmente os mais pobres”.  A mensagem é assinada pelo bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão, dom Guilherme Werlang. Confira o texto, na íntegra: 

  Mensagem do Encontro Nacional da Comissão Episcopal Pastoral para o serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
 “...sabendo que a tribulação gera a constância,
a constância leva a uma virtude provada e a virtude provada desabrocha em esperança.
E a esperança não decepciona...” (Rom 5, 3b-5a)

 Os participantes do Encontro da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, reunidos para avaliar o quadriênio e planejar o próximo, iluminados pela sabedoria da última Encíclica do papa Francisco, a Laudato Sí, sobre o cuidado com a “Casa Comum”, queremos ser portadores de uma palavra de esperança ao povo brasileiro, neste momento conturbado que o país está vivendo.
Diante do risco de regressão aos direitos sociais no país, principalmente pelas propostas que estão em tramitação no Congresso Nacional, nos manifestamos com esperança frente às crises que vivemos. É uma crise ética, política e econômica contra as populações e os setores sociais mais fragilizados, atingindo pessoas individualmente e o conjunto da sociedade brasileira.
Para nós cristãos, nos capacita sempre crer que, embora tudo pareça difícil, há saídas.  Enfrentamos crises, sofrimentos, desilusões, cruzes que por vezes nos fazem dizer ou sentir que chegamos ao fim da linha e que não há mais solução. Temos a certeza de que dentro de cada um de nós existe uma luz que nos impulsiona a recomeçar. Vamos sair do comodismo, do desânimo. Não podemos ficar apenas como expectadores ou críticos descomprometidos. Sejamos protagonistas construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária, sinal do Reino de Deus.
Nas últimas três décadas a Igreja Católica enfrentou grandes dificuldades. Muitos estavam sem perspectivas. Eis que com o papa Francisco surge uma nova luz, não somente para Igreja, mas, para o mundo. Estamos nos enchendo de esperança.
Acreditamos que podemos superar esse momento histórico. Todavia, nada acontece na história humana por “geração espontânea”. Temos que nos tornar protagonistas da cidadania de um novo Brasil. Entrar em ação. Enfrentar as velhas e novas corrupções, sem ódio, sem violências, sem injustiças, sem retrocessos na democracia, sem golpismos.
A pátria brasileira somos todos nós. Ninguém vai salvá-la sozinho. Por isso convocamos as organizações populares e movimentos sociais ao diálogo permanente, buscando construir as bases do “Brasil que queremos”, expressos nos documentos das Semanas Sociais Brasileiras e que culminaram nas duas Assembleias Populares que realizamos há mais de uma década. Temos história e trajetória construídas. Vamos resistir e denunciar todas as tentativas de “acordos” que possam significar regressão nos direitos sociais da classe trabalhadora e nas conquistas históricas das três últimas décadas: redemocratização, estabilização econômica, redução da desigualdade social, geração de emprego e renda, acesso ao direito à moradia.
Como aprendemos da Encíclica do Papa Francisco: Laudato Sí, não há saída para salvar o planeta, que não passe pela superação da injustiça social. A tarefa é árdua, mas preciosa. Estamos dispostos a construí-la e convidamos a todos que queiram somar para caminharmos juntos.
Com a esperança renovada, nosso abraço fraterno.
Brasília (DF), 20 de agosto de 2015.

Dom Guilherme Antônio Werlang
Bispo Diocesano de Ipameri – GO
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o serviço da Caridade, da Justiça e da Paz

http://www.cnbb.org.br/comissoes-episcopais-1/caridade-justica-e-paz/17189-comissao-divulga-mensagem-sobre-o-encontro-nacional-das-pastorais-sociais

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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