terça-feira, 15 de outubro de 2013

Em favor da vida plena

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Dom Aloísio Roque Oppermann 
Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)
Apesar das gloriosas descobertas dos segredos do mundo material (p.ex. a “partícula de Deus”), a vida é uma forma superior da matéria. Se ela existe em outros astros, não o sabemos, por enquanto. Mas em nosso planeta terra, ela é a grande bênção de Deus. O que impressiona é a imensa variedade de seres vivos, sua originalidade, as surpresas de sua organização, a abundância de espécies.
O próprio Criador, pelo fato de a vida ser um dom efêmero, prescreve ao rei da criação (que está no seu topo), que a proteja: “encham as águas do mar e que as aves se multipliquem sobre a terra” (Gen 1, 22). Por isso, à primeira vista, parece uma contradição quando o Senhor permite ao homem: “poderás comer destes animais...” (Dt 14, 3). É que o homem é o único ser vivo que não foi criado para ser usado pelos outros. Ele tem finalidade em si. Mas não deve destruir ou exterminar nenhum ser vivo, e sim, usá-lo e conservá-lo.
Sempre foi característica da Igreja, procurar defender a vida. Se houve alguma vacilação, durante esses 20 séculos, sobre a legitimidade da tortura, ou sobre guerras de conquista, isso foi inteiramente superado. A vida do ser humano merece apoio total. Por isso, pelas lições do evangelho, devemos curar os doentes, através de um organizado serviço à saúde. Os encarcerados devem ter condições de vida que não lhes roube a dignidade humana, e os possa recuperar para a sociedade. A defesa da vida dos nascituros, seres passíveis de ataques sem chance de fuga, permanece como um programa permanente.
A Igreja denuncia que a falta de respeito pelas crianças inocentes, encoraja os bandidos a matar e assaltar os adultos. No entanto, a defesa da vida total vai muito mais longe. Unindo-nos a Cristo, queremos aceitar a oferta da “vida em plenitude” que nos vem da Trindade Santa. O ser humano é o único ser vivente que pode participar da vida na Família Divina. Pode ficar em seu interior, pela vida da graça. “Pela graça sois salvos, mediante a fé” (Ef 2, 8). Este é o desejo mais profundo de nossos corações (muitas vezes inconsciente), para alcançarmos a felicidade, e nos sentirmos repletos de realização.

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Reflexão

Todas as pessoas costumam falar em justiça ,mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça

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